A Constituição de 1933 declarava a igualdade dos cidadãos perante a lei “salvas, quanto à mulher” devido às “diferenças resultantes da sua natureza e do bem da família”, sendo o marido considerado como a principal autoridade em todos os atos da vida conjugal, detendo o poder de decisão sobre os destinos da família. Após o 25 de Abril, o “poder marital” atribuído ao marido desapareceu e os cônjuges passam a ter os mesmos direitos e deveres, sendo que a direção da família passa a pertencer ao casal.

Ocorreram mudanças históricas, sociais e culturais nas dinâmicas conjugais devido à alteração da lei, à profissionalização das mulheres, à descentralização do poder do homem no seio da relação conjugal, o que levou à tendência para um modelo de relação mais igualitário. Contudo, tanto através da literatura, como da investigação que realizei, compreende-se que ainda permanecem algumas diferenças no que se refere à distribuição das responsabilidades, sobretudo, domésticas e parentais. Estas estão ainda a cargo, principalmente, das mulheres/mães.

O género parece continuar a ser visto como um critério aceitável culturalmente para legitimar a distribuição do poder inerente ao exercício dos papéis pessoais/familiares/profissionais. É certo que estamos no caminho da igualdade de género e da igualdade de oportunidades. Todavia, parece que enquanto os nossos modelos mentais se apresentam como mais igualitários, as mudanças de comportamento não têm tido um ritmo tão acelerado.

É também verdade que temos tentado produzir estes modelos alternativos, que nos permitam crenças, atitudes e comportamentos diferentes dos estereótipos de género que têm passado de geração em geração. Mas ainda há muito trabalho a fazer. No meu quotidiano profissional empenho-me para contribuir para este mesmo trabalho junto, sobretudo, dos mais jovens.

Celebramos a liberdade. E viva a liberdade de termos relações baseadas no amor, no respeito, na cooperação, na partilha, na igualdade, na equidade. Viva a conjugalidade na sua plenitude.

25 de Abril.

“É preciso coragem para nos forçarmos a ir a lugares onde nunca antes estivemos, para testar os nossos limites, para vencer as barreiras. É preciso que chegue o dia em que o risco de ficar fechado dentro do botão seja mais doloroso do que o risco de florir” (Anais Nin).