Enfrentamos actualmente um conjunto de desafios inerentes à Educação. À Educação que não vem só nos livros.

O mês passado participei num Espaço de Discussão Aberto, que decorreu em simultâneo com uma Conferência Nacional, sobre o “Perfil do Aluno à Saída da Escolaridade Obrigatória” com vista à criação de “um quadro de referência que pressuponha a liberdade, a responsabilidade, a valorização do trabalho, a consciência de si próprio, a inserção familiar e comunitária e a participação na sociedade que nos rodeia”.

De forma pragmática, o objectivo foi colocar os alunos, de todas as idades, desde o 1º ciclo ao ensino secundário, a pensar em diferentes soluções para alguns problemas com que se debatem na dinâmica escolar e ao longo dos seus percursos académicos. De todas as propostas que ouvi por parte dos alunos, a que mais apreciei foi a criação de uma nova disciplina em que o objectivo fosse “discutir e resolver problemas da turma” e ainda “abordar temas que saíssem do âmbito do plano curricular”. Precisamente, porque nem todos os problemas dos alunos se resolvem com o estudo de determinadas matérias. Eles querem pensar noutras coisas. Ele querem ter pensamento crítico. Eles querem contribuir com as suas ideias. Eles querem “mais espaços para falar sobre política, para colocar questões ou simplesmente conversar”. Vi isto in loco. Eles querem reflectir sobre assuntos importantes para si.

Esta notícia vem corroborar aquilo que encontro nas Escolas. Aos poucos, através do Projecto em que trabalho, tenho conseguido ter este espaço para abordar temáticas que não constam dos planos curriculares com alunos dos diferentes ciclos. E como gosto desse trabalho! De reflectir em conjunto com eles sobre temas que lhes são tão caros, tão próximos e sobre os quais eles pensam e reflectem com afinco.

Trabalhar em parceria com os Agrupamentos de Escolas tem permitido ajudar a construir uma Educação que “persiga valores humanistas e prepare os jovens de hoje para as exigências do futuro”.

Que bom que algumas Escolas estão abertas a receber agentes educativos externos. Uma Educação que pode não vir só nos livros mas que é tão importante como o Português, a Matemática e a História.

Que bom que é promover e experimentar a Cidadania!